Vereadores aprovam por unanimidade instauração de Comissão de Ética para apurar quebra de decoro parlamentar
01 de Julho, 2020
Componentes da Comissão de Ética farão a investigação da conduta do vereador Ditinho Bueno do Asilo

A Câmara Municipal de Bragança Paulista aprovou, por unanimidade, que a Comissão de Ética investigue a conduta do vereador Ditinho Bueno do Asilo, durante a 21ª Sessão Ordinária ocorrida em 23 de junho. Ele foi flagrado cheirando uma peça íntima durante a sessão que acontecia por meio de videoconferência. Os vereadores aprovaram os requerimentos do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e das Promotoras Legais Populares de Bragança Paulista que pediam a instauração da Comissão de Ética da Casa. A votação ocorreu na 22ª Sessão Ordinária do ano, que aconteceu em 30 de junho.

Durante a apreciação e votação, o vereador Ditinho Bueno do Asilo, como manda o Regimento Interno da Casa, foi substituído pelo suplente Rivelino de Oliveira. O vereador Ditinho usou a Tribuna para fazer o seu pedido de desculpas. “Independente do resultado das votações, quero fazer o meu pedido de perdão. Peço desculpas à presidente Beth Chedid, à vereadora Fabiana Alessandri e à vereadora Rita Leme, por quem tenho o maior respeito. Peço perdão às mulheres de Bragança Paulista, e em especial a minha mulher e a minha filha”, disse.

O vereador Marcus Valle foi o primeiro a se pronunciar sobre o assunto. “Assisti o vídeo várias vezes e observei que o vereador deixou a câmera ligada acidentalmente. Sou adversário do vereador, não temos afinidade política, no entanto meu posicionamento é que o gesto merece repúdio não pela intenção, mas pela desatenção de devassar a Casa, por isso sou favorável que seja feita uma apuração pela Comissão de Ética, de forma proporcional”, afirmou.

Colega de partido do vereador Ditinho Bueno do Asilo, Natanael Ananias optou pelo envio do caso à Comissão de Ética. “Tenho sido muito questionado sobre o que vai acontecer com o vereador, e reitero que acho importante o pedido de desculpas apresentado pelo parlamentar, por isso concordo com o envio à Comissão de Ética”, pontuou Natanael.

Basilio Zecchini destacou que o ato expôs a Câmara Municipal. “Ninguém está confortável com a situação a que fomos expostos. Reconheço todo o trabalho feito à frente do Asilo São Vicente pelo vereador, mas como parlamentar falo em defesa da imagem do Legislativo e o que aconteceu é algo inaceitável. Muitas vezes a gente mexe no celular ou fala com o colega ao lado e já somos repreendidos, ou visto como algo desrespeitoso”, afirmou.

Primeira mulher a se manifestar sobre o tema, a vereadora Rita Leme votou pela apuração do caso na Comissão de Ética. “Imagino que a principal consequência tenha sido a vergonha imposta à própria família”, disse.

Suplente do vereador Ditinho, Rivelino de Oliveira argumentou que o parlamentar foi eleito com mais de 900 votos e o julgamento da população será dado nas urnas. O Ele votou a favor da instauração da Comissão de Ética. “Sou suplente do vereador e me sinto frustrado, pois não gostaria de ser convocado para participar de uma sessão oficial nesta situação. Entendo que meu colega de partido, se tiver que ser punido, deve ser penalizado nas urnas, nas próximas eleições. Não apoioo deslize do vereador, mas acredito que a comunidade pode fazer o julgamento apropriado ”, disse Rivelino.

A presidente Beth Chedid avaliou o ato do vereador como uma falta grave. “O vereador Ditinho Bueno do Asilo cometeu uma falta grave, pois naquele momento ele tinha que estar prestando atenção na discussão do projeto, pois somos pagos para exercer o nosso mandato. Ele errou e vai pagar pelo ato por muitos anos, pois sempre será lembrado do ocorrido. Ele se desculpou, mas não sei dizer se é o suficiente e politizar o problema não é a solução, pois temos que lutar para que a classe política seja mais respeitada”, ponderou Beth, que votou a favor da Comissão de Ética.

“Entendo que cabe á Comissão de Ética da Casa apurar os fatos expostos nos requerimentos, para que o vereador tenha um julgamento justo, como prevê o Regimento Interno da Casa”, disse o vereador Marco Antonio Marcolino, que votou a favor da instauração da Comissão de Ética.

Quique Brown votou a favor para a instauração da Comissão de Ética. “Essa história toda é carregada de uma simbologia muito forte, pois a mulher luta há anos por um mundo mais igual, exerce dupla jornada, muitas com salário menor, quando sai na rua é assovio e provocação. A imagem da peça íntima carrega uma simbologia brutal, ao ocorrer justamente na fala de uma mulher , por isso considero um grave desrespeito a todas as mulheres, e precisa ser punido de forma exemplar e não aceito a palavra deslize para classificar o que aconteceu na Casa”, refletiu o vereador.

João Carlos Carvalho mencionou a quebra de decoro ao manifestar seu posicionamento. “Sou favorável a cassação pelo ato e pelo decoro. Nunca fui favorável a destituir o cargo de um vereador, mas peço que a Comissão de Ética da Casa se atente ao pedido do advogado Rogério Lopes de Moraes, que fundamenta o decoro, com respeito ao Regimento Interno e à Lei Orgânica do Município”, disse.

O vereador Moufid Doher mencionou o alerta feito ao vereador Ditinho na ocasião. “Fui o único vereador que percebeu o que estava acontecendo e o alertei de que a câmera estava ligada, por isso espero que a Comissão de Ética tome as medidas necessárias”, comentou Moufid.

Integrante da Comissão de Ética que fará a apuração do caso, a vereadora Fabiana Alessandri classificou a conduta do vereador como desagradável e de desrespeito à classe política.“Não acho que a atitude foi direcionada a mim, mas foi uma manifestação muito chata, que desprestigia a nossa classe. Sou favorável ao acolhimento da denúncia na Comissão de Ética, pois além da situação da exposição do feminino, teve a negligência com o a discussão de um assunto de interesse público”, ponderou Fabiana.

Dr. Claudio defendeu o envio do caso à Comissão de Ética e pediu um olhar pragmático sobre o assunto. “Não é o momento de sermos corporativistas e sim pragmáticos,para resgatar a imagem da Casa, e todos devem ser responsabilizados pelos seus atos”, afirmou o vereador.

O vereador Claudio Moreno também se posicionou sobre o assunto. “Recebemos a denúncia, muito justa no meu entendimento, que vai à Comissão de Ética, e é lá que o caso será estudado. O que temos que discutir no momento é a ida do vereador à Comissão de Ética para responder por sua falta, e só depois podemos nos pronunciar sobre uma eventual suspensão o cassação do mandato”, destacou.

Líder do governo na Casa, o vereador Paulo Mário manifestou solidariedade ao vereador, mas defendeu a apuração do caso na Comissão de Ética. “Aprecio o trabalho do vereador Ditinho à frente do Asilo da Vila São Vicente, mas neste momento voto com a minha consciência e com a necessidade de dar uma resposta à sociedade, para o envio à Comissão de Ética”, completou.

Com a deliberação, a apuração de quebra de decoro do parlamentar será investigada pela Comissão composta pelas vereadoras Fabiana Alessandri, Rita Leme e pelos vereadores Natanael Ananias, Sidiney Guedes e Tião do Fórum. Nos próximos dias, a Comissão deve anunciar sua primeira reunião.

Com aprovação dos requerimentos e a instauração para investigar a conduta do vereador pela Comissão de Ética, outros dois pedidos para que fossem constituída comissão processante para julgar a cassação do mandato do vereador, pedido pelo advogado Rogério Aparecido Lopes de Moraes e pelo Coletivo Batuque Raízes da Nega, foram votados, mas rejeitados, por 15 votos a quatro. A opção pela ordem de votação aconteceu seguindo o ingresso dos requerimentos na Casa. O primeiro requerimento a entrar foi o do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Os vereadores Basilio Zecchini, João Carlos Carvalho, Moufid Doher e Quique Brown votaram pela instalação concomitante de duas comissões.